Tal como aconteceu com outros edifícios municipais, é uma obra que se reveste de duplo significado e valor. Em primeiro lugar porque se trata de interessante recuperação arquitectónica de um imóvel do Arquitecto Ventura Terra, outrora preparado para o Teatro, hoje redefinido para mostrar a nossa história, projectando no Futuro as vivências de Ontem e de Hoje. O segundo aspecto é o de dotar Esposende com um espaço de encontro de gerações onde a preservação e a divulgação do património é um acontecimento do quotidiano.
O rés-do-chão abre-se para um espaço dividido em duas superfícies: uma, a "Sala dos Azulejos", destinada a Exposições temporárias, dado o tratamento especial imposto pelos próprios azulejos, contemporâneos da fundação do edifício e recuperados para a sua posição original; a outra, no seu prolongamento e podendo dar-lhe continuidade, é constituída por três bolsas arquitectónicas polivalentes, que se transformam em Recepção, Loja de Vendas e num pequeno Auditório polivalente.
O primeiro andar alberga a galeria principal, onde as exposições têm um caracter de quase permanência, sendo esta interrompida pela rotatividade de algumas peças e pelas opções do discurso expositivo em função das limitações a que o edifício em si obriga pela carência de uma certa amplitude espacial. Neste piso encontram-se ainda dois gabinetes técnicos, um do Arqueólogo e outro do Desenhador, com um pequeno espaço intermédio polivalente.
O sector expositivo completa-se na galeria em varanda do segundo andar, num dialogo mútuo estabelecido e enfatizado pela escada de estrutura metálica, que arranca do primeiro andar, convidando à visita e ao jogo de descobertas que ela proporciona. Este piso alberga também dois gabinetes técnicos, um do Conservador e outro do Técnico Auxiliar de Museologia, gabinetes que, juntamente com os do piso anterior permitem as restantes funções do Museu: a recolha e a conservação, o registo e o inventário, a investigação e a conservação, a dinamização de actividades culturais e educativas.
O terceiro andar destina-se a albergar o sector de Reserva, num espaço apenas interrompido por um pequeno laboratório de fotografia (preto/branco) e uma área de trabalho (atelier de apoio aos diversos serviços próprios à vida/animação do museu).
Na primeira, contemplam-se os valores de uma cultura que ilustra o modo como o homem se foi adaptando ao ambiente, aproveitando os seus recursos naturais, colocando-os ao seu serviço, enquanto as formas de comunicação, de expressão de ideias e sentimentos que se desenvolveu ao longo do tempo lhe ia conferindo os valores artísticos, os costumes e as tradições que valorizam a especificidade do Concelho.
Na segunda, caracteriza-se uma área cultural onde o ambiente natural contribui para a fixação humana, desenvolvendo-se agrupamentos humanos portadores dos seus próprios valores culturais e estéticos, onde os artefactos e as produções artísticas, associadas ou não a manifestações colectivas, como os cultos mortuários ou a edificação de povoados de características marcadamente defensivas, passaram pela resolução de necessidades básicas às sociedades humanas e que se traduzem em alguns dos principais marcos do trajecto histórico do Concelho, desde a Pré-História aos nossos dias.
© Museu Municipal de Esposende 1999